De atendimento gripada a quarto improvisado: clientes detalham procedimentos com fisioterapeuta suspeita de mutilar pacientes
23/09/2026
(Foto: Reprodução) Clientes detalham procedimentos com fisioterapeuta presa suspeita de mutilar pacientes
Duas pacientes da fisioterapeuta presa suspeita de mutilar pacientes em Goiânia disseram que Magda Oliveira da Silva realizou procedimentos "muito gripada" e em um quarto improvisado, pois sua clínica estava em reforma (veja o vídeo acima). De acordo com a Polícia Civil, há casos de lesões graves, gravíssimas e até mutilação entre as denúncias sobre procedimentos estéticos nas regiões íntima, facial, glútea e mamária.
Em nota enviada nesta terça-feira (22), a assessoria de Magda Oliveira disse que não fará nenhum comentário em relação ao caso, reiterou total confiança na Justiça e disse ter a convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da instrução processual.
Em nota, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região disse que tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia recebida, e da prisão preventiva de uma profissional fisioterapeuta por meio da imprensa, a partir de informações divulgadas pela Polícia Civil. Disse ainda que instaurou processo administrativo/ético-disciplinar próprio para apuração dos fatos (leia a nota completa ao fim do texto).
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Em entrevista à TV Anhanguera, uma das pacientes que disse ter ter sofrido amputação em partes da região genital relatou relatou que se assustou quando Magda começou a fazer o procedimento cirúrgico sem luva estéril e utilizando a máscara de forma inadequada.
"Ela estava muito gripada, então ela dava uma limpada no nariz com parte do braço e voltava para o procedimento. Só que eu já estava encurralada, né? 'Já foi, já cortou, já estava sangrando, agora tenho que esperar o final disso aqui", disse ela.
Fisioterapeuta é presa suspeita de causar lesões graves em pacientes de Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera e Divulgação/Polícia Civil
Sobre o quarto improvisado, uma paciente disse que encontrou o perfil de Magda nas redes sociais, mas que não sabia onde a profissional atendia. "O endereço que ela me passou é uma casa. Eu fiquei 4 horas dentro de uma casa, em um quarto. Ela disse que a clínica que ela estava trabalhando estava em reforma", contou.
Ao g1, o delegado Alex Rodrigues, responsável pelo caso, disse que um vídeo mostra Magda usando um guardanapo para limpar cortes durante uma cirurgia plástica na região íntima (ninfoplastia), conduta que aumenta o risco de contaminação e infecção, segundo especialista.
Outras pacientes ainda relatam:
Perda de sensibilidade no clitóris;
Sangramento, queimaduras, dor intensa, inchaço, inflamação, cicatrizes e ferimento aberto;
Febre, tontura e intenso mal-estar;
Exposição da uretra;
Dificuldade para manter relações sexuais;
Dificuldade para mastigar e abrir a boca;
Dificuldade para urinar;
Alteração parcial da visão;
Alteração da coloração da pele.
Uma delas relata que não teve suporte após as complicações e que a fisioterapeuta continuava divulgando seu trabalho normalmente nas redes sociais. "Ela continuava sorrindo no perfil dela, colocando palavras de Deus, dizendo que nós queríamos derrubá-la, mas que ela era mais forte", disse.
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Prisão e denúncias
No início, sete pacientes haviam denunciado a fisioterapeuta à polícia e, desde a divulgação do caso, mais duas mulheres procuraram as autoridades. As vítimas relatam complicações após a realização de procedimentos estéticos nas regiões íntima, facial, glútea e mamária.
"Algumas delas tiveram lesões gravíssimas nas partes íntimas. Ela não tem autorização dos órgãos responsáveis para realizar esse tipo de procedimento, que é inclusive um procedimento cirúrgico" , disse o delegado.
Fisioterapeuta é presa preventivamente e sete vítimas são identificadas em investigação em Goiás
Reprodução/Instagram de Magda Oliveira
Apesar de também possuir formação complementar na área de harmonização facial, corporal e íntima, a investigação aponta que em determinados procedimentos ela teria ultrapassado os limites da atuação. De acordo com o delegado Alex Rodrigues, ela não poderia atuar prestando os serviços que realizou nas vítimas.
"A investigação aponta que, em determinados procedimentos, teriam sido realizados cortes, retirada de partes de tecidos e alterações da anatomia das pacientes, além da prescrição ou fornecimento de medicamentos, circunstâncias que teriam extrapolado os limites técnicos e legais da atuação profissional", afirmou a Polícia Civil.
Magda foi presa nesta segunda-feira (22). À polícia, ela disse que cursa medicina na modalidade EAD em uma universidade na Bolívia, para onde ela vai duas vezes por ano. Além da prisão, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na casa da investigada e em duas salas comerciais onde ela atendia as pacientes.
Primeira nota enviada pela defesa da fisioterapeuta
A Sílvio Maia Assessoria, no exercício do acompanhamento institucional da defesa da fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos quanto às recentes divulgações veiculadas pela imprensa:
Presunção de Inocência e Devido Processo Legal: A Sra. Magda Oliveira da Silva reafirma seu compromisso com a verdade e o rigor ético que sempre pautaram sua atuação profissional na área de fisioterapia e estética. Ressalta-se que qualquer apuração deve observar rigorosamente as garantias constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.
Cooperação com as Autoridades: A profissional e sua equipe jurídica estão integralmente à disposição da Polícia Civil e do Judiciário para fornecer todas as informações, laudos técnicos e documentações necessárias. Confiamos que o trâmite das investigações demonstrará a regularidade de sua conduta e o devido cumprimento dos protocolos técnicos aplicáveis aos seus atendimentos.
Esclarecimento dos Fatos: Pedimos cautela na divulgação de ilações prematuras e reforçamos que os fatos serão devidamente fundamentados nos autos do processo técnico e pericial competente.
A profissional e a sua defesa reiteram a plena confiança na Justiça e reafirmam que a sua inocência será devidamente comprovada no decorrer dos trâmites legais.
Nota do Conselho
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região – CREFITO 19, Autarquia Pública Federal criada para defender os interesses públicos e proteger a sociedade por meio da fiscalização do exercício profissional de Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, no uso de suas atribuições legais e representado por seu Presidente, vem, respeitosamente, por meio desta, esclarecer que tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia recebida, e da prisão preventiva de uma profissional Fisioterapeuta por meio da imprensa, a partir de informações divulgadas pela Polícia Civil do Estado de Goiás sobre supostos danos causados a pacientes em procedimentos estéticos. O CREFITO-19 instaurou processo administrativo/ético-disciplinar próprio para apuração dos fatos. Caso confirmados, os fatos expostos configurarão grave desvio da prática profissional e serão tratados com o rigor cabível, no âmbito do referido processo administrativo. O CREFITO-19 se coloca à disposição das autoridades policiais e do Ministério Público para colaborar com a investigação em curso e reitera seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes e com a fiscalização ética do exercício profissional na região.
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