MP tenta manter júri popular de ex-noivo acusado de matar advogada e simular suicídio, em Itaberaí
19/03/2026
(Foto: Reprodução) Ex-noivo é acusado de matar advogada em Itaberaí
O Ministério Público de Goiás (MPGO) defenderá nesta quinta-feira (19), no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), a manutenção do júri popular do agropecuarista Luís Felipe Silva Lima, acusado de matar a advogada Jordana Fraga Martins David, em Itaberaí, sua ex-noiva.
O motivo da sustentação por parte do MP é que a defesa de Luís Felipe recorreu na Justiça na tentativa de impedir que ele seja submetido ao Tribunal do Júri pelo crime. O agropecuarista aguarda o julgamento em liberdade e, segundo a defesa, ele seria inocente.
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Jordana foi morta em 2018 com um tiro na cabeça. O corpo foi encontrado pela mãe da advogada, Lélia Fraga Martins David, em um terreno baldio ao lado da casa onde ela morava com a família. Inicialmente, o caso chegou a ser tratado como suicídio, mas a investigação considerou que Luís Felipe matou Jordana e tentou enganar a polícia.
A manifestação do MPGO na Segunda Câmara Criminal do TJGO será feita pela procuradora de Justiça Yara Alves Ferreira e Silva, que defenderá a manutenção da pronúncia para que o acusado seja julgado pelo Conselho de Sentença.
De acordo com o MP, a confirmação dessa decisão é essencial para garantir que o caso seja analisado pelo júri popular, instrumento previsto na Constituição Federal para o julgamento de crimes dolosos contra a vida.
Jordana Fraga Martins David, morta em Itaberaí, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Entenda o caso
No dia em que foi morta, Jordana havia saído para votar e demonstrava tranquilidade, fazendo planos, conversando e projetando o futuro, conforme denúncia oferecida à época pelo promotor de Justiça Paulo Henrique Otoni.
Horas depois, após um desentendimento com o então namorado, Luís Felipe, motivado por ciúmes, ela foi morta com um disparo à queima-roupa na cabeça. Testemunhas relataram que, momentos antes, ela estava visivelmente intimidada durante a discussão, enquanto o acusado demonstrava irritação.
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Tentativa de simulação de suicídio
De acordo com a denúncia do MPGO, após efetuar o disparo, Luís Felipe tentou encobrir o feminicídio simulando um suicídio. Ele teria alterado a cena do crime, reposicionando o corpo da vítima e deixando a arma ao lado, numa tentativa de induzir a erro a investigação. A dinâmica, no entanto, foi desconstituída pelos elementos periciais reunidos ao longo da apuração.
Ainda conforme o MP, o comportamento do agropecuarista após o crime é um dos aspectos mais impactantes do caso. Minutos depois de matar Jordana, ele ligou para a mãe da vítima e, durante a conversa, demonstrou preocupação com o paradeiro do próprio revólver, chegando a afirmar que não queria saber da vítima. Na sequência, fez um pedido de sanduíche e foi para casa.
Em entrevista ao g1 dois anos após o crime, Lélia disse que não tem vida e que apenas sobrevive após perder a filha.
“Por volta de 6h40, eu encontrei a minha filha morta em um terreno baldio ao lado da minha casa. E uma mãe, quando perde um filho, ela não vive, ela sobrevive. Eu estou sobrevivendo a essa dor, a essa angústia, todos os dias da minha vida”, disse a mãe de Jordana.
Jordana Fraga Martins David, morta em Itaberaí, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Histórico de violência
As investigações revelaram que o relacionamento entre o casal era marcado por episódios de controle, pressão psicológica e agressões. Jordana teria se afastado de amigos, mudado hábitos e vivido sob influência constante do companheiro, que impunha restrições e apresentava comportamento possessivo. Há registros, inclusive, de agressões anteriores, conforme a denúncia.
Força das provas
O MP informou que a defesa tenta reverter a decisão já proferida em primeira instância. De acordo com a promotora de Justiça Elissa Tatiana Pryjmak, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Itaberaí e que acompanha o caso atualmente, é fundamental que, no Mês da Mulher, período em que se reforça o respeito aos direitos femininos, Jordana esteja mais próxima de ter justiça por sua morte.
A promotora ressaltou que a vítima foi morta pelo namorado após anos de relacionamento, em um caso de extrema gravidade.
“Além disso, tendo em vista que as provas existem, estão nos autos e são suficientes para indicar a autoria, a reafirmação, pelo Tribunal de Justiça, da decisão que leva o réu a júri é, também, reforçar a credibilidade da Justiça”, afirmou.
Local da morte de Jordana Fraga Martins David, morta em Itaberaí, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
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